MORGADO
Que havia de ser?—Esta manhã, para matar o tempo, fui até á feira das cavalgaduras… alli pela banda do nascente do passeio… Bem sabe o meu fraco. Estava na barraca dos juizes, segundo o costume… Tudo entendedores de mão cheia… Não sei como se passou o tempo… o caso é que deram dez horas… Era a hora a que tinhamos ajustado o nosso encontro aqui… Despedi-me á pressa… instaram-me que ficasse… Se elles não pódem passar sem mim! Foi preciso dizer-lhes que tinha que fazer na baixa, e era tarde já… O Domingos Sanches… aquelle polvorista rico… Decerto conhece… (gesto negativo do commendador.) Ora, não conhece outra coisa!… O Domingos Sanches quiz por força que viesse no seu lasão… um lasão melado… bonito animal… mas de maus signaes… gazio dos olhos, e bebendo em branco… «Não és boa peça, não,» disse eu logo commigo… «esperem que vão ver o que é o morgado da Gesteira a cavallo!…» (enthusiasmando-se.) Estava tudo attento… Monto… como eu costumo montar… O cavallo, apenas me sente, começa a defender-se, e a negar-se… Eu aperto-lhe as esporas… Elle atira dois saltos encabritados… Eu cozo-me com a sella… Elle furta-me o corpo…
COMMENDADOR (depois de breve pausa)
E depois?