FIM DA QUARTA E ULTIMA PARTE.
NOTAS
DO TOMO SEGUNDO
PAG. 7.—[Crispim Tenreiro].
Foi um dos fundadores do Rio de Janeiro; era casado com D. Isabel Mariz, irmã de D. Antonio.
PAG. 153.—[Mussurana].
«Os contrarios que os Tupinambás captivão na guerra ou de outra maneira, mettem-nos em prisões, as quaes são cordas de algodão grossas, que para isso tem muito louçãs, a que chamão mussuranas.»—G.S. de SOUZA, Roteiro do Brazil.
PAG. 155.—[Esposa do tumulo].
«Dão a cada um prisioneiro por mulher a mais formosa moça que ha na sua casa; a qual moça tem o cuidado de o servir e dar-lhe o necessario para comer e beber.»—G. SOARES DE SOUZA, Roteiro do Brazil, cap. 71.
PAG. 156.—[Cardo].
Fructo da urumbeba e de outras palmas de espinhos de que ha differentes especies; é vermelho na casca, de polpa branca e sementes pretas.
PAG. 158.—[Corrixo].
Corrixo é um passarinho que tem o dom de arremedar a todos os outros.
«Temos o passaro que entôa
Por mil differentes modos,
Porque elle remeda a todos,
Seu proprio nome é corrixo.»
J. J. LISBOA, Desc. curiosa.
PAG. 159.—[És livre].
«Mas tambem ha algumas que tomárão tamanho amor aos captivos que as tomárão por mulher, que lhes derão muito geito para se acolherem e fugirem das prisões que elle cortão com alguma ferramenta que ellas ás escondidas lhes derão, etc.»—G. SOARES DE SOUZA, Roteiro do Brazil, cap. 171.
PAG. 173.—[Sacrificio].
Os costumes dos Aymorés não erão inteiramente conhecidos, por causa do afastamento em que sempre viverão dos colonos. Em algumas cousas porém assemelhavão-se á raça tupy; e é por isso que na descripção do sacrificio aproveitámos o que dizem Simão de Vasconcellos e Lamartinière a respeito dos Tupinambás e outras tribus mais ferozes.
PAG. 201.—[Veneno].
Os indigenas fabricavão diversos venenos, e a sua perfeição foi objecto de admiração para os colonisadores. Humboldt, á vista dos seus conhecimentos toxicologicos, concluio que devia ter havido na America antigamente uma grande civilisação, e que delia havião os selvagens herdado esses usos. Os principaes desses venenos erão o bororé e o uirari.
PAG. 202.—[Curarê].
«Le bororé, dont le révérend père Grumilha a donné la description dans son Orenoco illustrado, parait être exactement le même dont l'abbé Gilly parle dans son Histoire de l'Amérique, et qu'on désigne aujourd'hui par le nom de curarê. Suivant M. Humboldt, c'est un strichnos, et il ne faut pas le confondre avec le tucunas, composé toxique dont parle M. de la Condamine dans la relation de son voyage aux Amazones.»—Dr SIGAUD, Du climat et des maladies du Brésil.
PAG. 203.—[Em algumas horas].
Sobre a violencia do curarê diz ainda o Dr Sigaud o seguinte:
«En 1830, le président C. J. de Nyemer apporta du Pará à Rio de Janeiro une petite portion de curarê qu'on fit prendre à petites doses à divers animaux, qui tous ont succombé en peu d'heures dans des convulsions violentes. Le docteur Lacerda, qui a longtemps pratique au Pará et au Maranhão, a fait, dit-on, d'importantes recherches sur les poisons indiens encore inédites; le curarê est, de son aveu, un poison violent, causant d'abord un état tétanique, ensuite une torpeur générale qui précède la mort.»
PAG. 229.—[Contraveneno].
Segundo Humboldt, o assucar é um contraveneno do curarê. Os indios porém conhecião naturalmente outros muito mais efficazes, e que hoje ignorão-se, do mesmo modo que o da cascavel.
PAG. 229.—[Setta hervada].
O curarê tambem servia aos indios para hervarem as settas, e nesse caso tinha uma preparação especial. Vid. GUMILHA, Orenoco illustrado.
PAG. 292.—[Guanumby].
Segundo uma tradição dos indios, o colibri, que conhecião pelo nome de guanumby, levava e trazia as almas do outro mundo.
PAG. 296.—[Igara].
Significa em guarany canôa; atyaty é o nome que davão á gaivota.
PAG. 321.—[Tamandaré].
É o nome do Noé indigena. A tradição rezava que na occasião do diluvio elle escapara no olho de uma palmeira, e depois povoára a terra. É a lenda que conta Pery.