SCENA QUARTA

Margarida (só)

Ora pois... sou livre por minutos
Dos élos deshonestos e corruptos!
Mas não tão livre, não tão livre ainda,
Que Henrique não levasse á D. Arminda
O fructo do transvio de seu marido.
Coitado! Mas que triste arrependido!

(Rindo)

E talvez concebesse que o seu filho,
De futuro, me sirva d'impecilho.
Ná, ná! Quem se desliga a compromissos,
Não o faz com intuitos só postiços.
Pois que!? Foge da vida deshonesta,
E deixa aqui o pomo de tal festa?!
Ná! que o leve; que o leve para o lar,
Onde a contricção vae representar.
E depois, almas vis, más e preversas,
Pódem ás vezes ser nobres e adversas
Ao crime.

(Entrando rapidamente na alcova e voltando á scena com uma creança de seis mezes)

Vaes gosar creação casta,
Que te infiltra dignissima Madrasta:
Vaes sahir d'este reles ambiente,
Onde se perde muita e muita gente!

(N'um momento de subita reflexão e levando a mão á testa)

An?! Que digo? Que disse eu inda agora?!
Não seria um lampejo, ou uma aurora
De verdade, que acaso illuminou{10}
A minha alma, e p'la mente me passou...

(Com resolução)

Sim, minha filha, quero que vás. Vae;
Vae acolher-te á sombra de teu pae;
Vae abrigar-te n'essas consciencias
Que salvam e redimem existencias!