SCENA QUINTA

MARGARIDA E MARIA

Maria (entrando)

Satisfeito foi já o seu recado...

Margarida

Pois outro tem de ser executado
E deligentemente. Espera um pouco,
Emquanto escrevo á Dona d'esse louco
Que hoje me abandonou. E na pequena
Segura já.

(Entregando-lh'a e sentando-se a escrever)

Alguns traços de pena,
E prompto. Nada mais ha a fazer
Na consciencia de tão reles mulher!

(Dictando o que escreve)

«Senhora!
Deposito essa creança,
Filha de seu marido, e esperança
Tenho que irá ser muito mais feliz,
Do que no antro que apenas só se diz
Do vicio, da vergonha!»

(Entregando a carta á creada)

Ora aqui tens...

(Á parte)

E inda dizem que são más estas mães!

(Á creada)

Desejo que sem perda de momento
Ás minhas ordens tragas cumprimento.
Procuras indagar qual a morada
Do fugitivo Henrique, e lá, na escada,
A pequenita deves collocar,
Bem como a carta junta ahi deixar.
Depois, tens que affastar-te de repente,
Percebes?{11}

Maria

Muito bem, e fico sciente.

(Estupefacta)

Porém, senhora! nem sequer um beijo
Na creancinha?!

Margarida (imperiosa)

Basta-me o desejo
Da sua vida. Vae! Assim t'o ordeno,
Muito embora com alma de veneno!

Maria

(Indo a sahir e parando ao fundo)

Mas... mas de que é feito esse coração?!

Margarida (indicando-se)

É coisa que não ha na habitação!
Vae...

Maria (repentina)

Irei. (sáe).