O basto e a espadilha
Vieram amigos da casa, trazendo noticias e boatos. Variavam pouco e geralmente não havia opinião segura acerca do resultado. Ninguem sabia se a victoria do movimento era um bem, se um mal, apenas sabiam que era um facto. Dalli a ingenuidade com que alguem propoz o voltarete do costume, e a boa vontade de outros em acceital-o. Santos, embora declarase que não jogava, mandou pôr as cartas e os tentos, mas os outros opinaram que sempre faltava um parceiro, e sem elle, não havia graça. Quiz resistir; não era bonito que no proprio dia em que o regimen caira ou ia cair, entregasse o espirito a recreações de sociedade... Não pensou isto em voz alta nem baixa, mas comsigo, e talvez o leu no rosto da mulher. Acharia um pretexto para resistir, se buscasse algum, mas amigos e cartas não deixavam buscar nada. Santos acabou acceitando. Provalmente era essa mesma a inclinação intima. Muitas ha que precisam ser attrahidas cá fora, como um favor ou concessão da pessoa. Emfim, o basto e a espadilha fizeram naquella noite o seu officio, como as mariposas e as ratos, os ventos e as ondas, o lume das estrellas e o somno dos cidadãos.