SCENA V

CAVALCANTE, D. CARLOTA, apparecendo ao fundo.

D. CARLOTA

Primo... (Vendo Cavalcante) Ah! perdão!

CAVALCANTE (erguendo-se)

Perdão de que?

D. CARLOTA

Cuidei que meu primo estava aqui; vim buscar um livro de gravuras de prima Adelaide; está aqui...

CAVALCANTE

A senhora viu-me passar a cavallo, ha uma hora, n'uma posição incommoda e inexplicavel.

D. CARLOTA

Perdão, mas...

CAVALCANTE

Quero dizer-lhe que eu levava na cabeça uma idéa séria, um negocio grave.

D. CARLOTA

Creio.

CAVALCANTE

Deus queira que nunca possa entender o que era! Basta crer. Foi a distracção que me deu aquella postura inexplicavel. Na minha familia quasi todos são distrahidos. Um dos meus tios morreu na guerra do Paraguay, por cousa de uma distracção; era capitão de engenharia...

D. CARLOTA, perturbada.

Oh! não me fale!

CAVALCANTE

Porque? Não póde tel-o conhecido.

D. CARLOTA

Não, senhor; desculpe-me, sou um pouco tonta. Vou levar o livro á minha prima.

CAVALCANTE

Peço-lhe perdão, mas...

D. CARLOTA

Passe bem. (Vae até á porta.)

CAVALCANTE

Mas, eu desejava saber...

D. CARLOTA

Não, não, perdôe-me (Sae.)