SCENA VII
D. HELENA, D. LEONOR
D. LEONOR, rindo
Que urso!
D. HELENA
Realmente...
D. LEONOR
Perdôo-lhe em nome da sciencia. Fique com as suas hervas, e não nos aborreça mais, nem elle nem o sobrinho.
D. HELENA
Nem o sobrinho?
D. LEONOR
Nem o sobrinho, nem o creado, nem o cão, se o houver, nem cousa nenhuma que tenha relação com a sciencia. Enfada-te? Pelo que vejo, entre o Henrique e a Cecilia ha tal ou qual namoro?
D. HELENA
Se promette segredo... ha.
D. LEONOR
Pois acabe-se o namoro.
D. HELENA
Não é facil. O Henrique é um perfeito cavalheiro; ambos são dignos um do outro. Por que razão impediremos que dous corações...
D. LEONOR
Não sei de corações, não hão de faltar casamentos a Cecilia.
D. HELENA
Certamente que não, mas os casamentos não se improvisam nem se projectam na cabeça; são actos do coração, que a egreja santifica. Tentemos uma cousa.
D. LEONOR
Que é?
D. HELENA
Reconciliemo-nos com o Barão.
D. LEONOR
Nada, nada.
D. HELENA
Pobre Cecilia!
D. LEONOR
É ter paciencia, sujeite-se ás circumstancias... (A D. Cecilia, que entra) Ouviste?
D. CECILIA
O quê, titia?
D. LEONOR
Helena te explicará tudo. (A D. Helena baixo) Tira-lhe todas as esperanças. (Indo-se) Que urso! que urso!