§. VII.
Aspas.
As Cruzes em Aspa se trazem nas armas por devoçaõ de Santo Andre, como mostra Argòte[111] na Conquista de Baeça, a qual Cidade tomou no dia deste Santo Apostolo o Conde D. Lopo Dias de Haro com 500. Cavalleiros, que foraõ ao socorro do Castello, que os Mouros tinhaõ cercado, e em memoria do favor, que de Santo Andre receberaõ nesta taõ grande vitoria, pintaraõ todos as Aspas nos escudos, alèm das divisas, ou armas, que cada hum jà trazia. Os Navarros daõ esta mesma origem às Aspas, que muitas Familias daquelle Reyno trazem, posto que naõ conste pro historias, que elles se achassem neste feito. Pelo que com razaõ podemos entender, que as Aspas, que muitos Fidalgos deste Reyno trazem por armas, se tomaraõ por outro semelhante caso, que aconteceo na tomada de Beja, a qual foy recuperada pelos Christaõs vespera de Santo Andre com notavel esforço, por ser este hum dos mayores lugares, e mais fortes da Lusitania.
As Familias, que trazem Aspas, saõ: Araujos, Azevedos, Filippes, Gago, Guariços, Miranda, Palameque, Oroscos, Rochas. A Aspa dos Mirandas pòde ser pela razaõ jà dita, se naõ he em memoria do seu solar de Miranda, que està em Asturias, junto a Santo Andre.