+SONETO IV.+

Caro a Fébo, a Filinto, a Lysia, á Fama,
Na Lácia Fonte, e Argiva immerso Alfeno [15],
Pelas Deosas Irmãas fadado Ismeno [16],
Em que he Numen Razão, Verdade he flamma:

Canóro Melibêo [17], por quem derrama
Invéja, e Glória o néctar, e o veneno;
Filósofo Cantor, meu doce Oleno [18],
Doce ao Sócio infeliz, que em ais te chama!

Elmiro [19], que de Sóphia o grão Thesoiro
Revolves, possessôr, com mão suprema;
E outros, que o Téjo honrais, o Vouga, o Doiro [20];

Dai-me que o Léthes sorvedor não tema:
Por vós comprado ao Tempo em versos de oiro,
Cysne talvez que sôe á hora extrema.

[15] O Bacharel Domingos Maximiano Torres.

[16] João Vicente Pimentel Maldonado.

[17] Miguel Antonio de Barros.

[18] Nuno Alvares Pereira Moniz.

[19] José Agostinho de Macedo.

[20] Hum dos que honrão o Doiro he Bento Henriques Soares, amigo do chorado João Baptista Junior (Author da nova Castro) amigo, como eu, daquelle, cuja memoria deve saudosamente viver em quanto o Engenho, e a Moral forem dotes de preço. O glorioso ao Vouga he Francisco Joaquim Ringre, que pelo sabor da Antiguidade, que ha nas suas Poesias, e pelo estro que as levanta, merece esta nota.