+SONETO VII.+
Agora que a seu lôbrego Retiro
Como que a baça Morte me encaminha,
E o coração, que as ancias lhe adivinha,
Débil se ensaia no final suspiro:
Musa de Elmano, e Musa de Belmiro,
Una-se a gloria sua á gloria minha:
Meu nome aguarentou com voz mesquinha,
Eu justo ao seu não fui, e a sê-lo aspiro.
Nem tu me esquecerás, Gastão cadente [22],
Lustroso apar do mim, quando de chófre
Igneas canções brotei, c'um Deos na mente.
Abri, Verdade, abri teu áureo cófre:
Isto Elmano extrahio co'a mão tremente
No sério ponto que illusões não sóffre.
[22] Se a locução, a fantasia, e o rhythmo caracterizão a mente Poética, aponto D. Gastão Coutinho como dorade com estes thesoiros do Espirito. Não sôa, como devêra, (e altamente) o louvor de Thomas Antonio dos Santos, e Silva nos meus talvez ultimos versos, porque em outros, de monção mais Febéa, e já divulgados, lhe teci elogios, em que a fraterna amizade, que de muito nos liga, nada proferio avêsso á justiça, e ao tom circunspecto do Discernimento.