+SONETO XVIII.+

Vapor doirando, que me afuma os Lares,
(Porque a Morte os bafeja de contino)
Sôlto de ti relampago divino,
[25] Milton de Lysia, alumiou meus ares.

O bem d'ouvir-te, o bem de me chorares
Quasi que irmana desigual Destino:
«Tu de assombros Cantor, (Fébo, ou Tomino)
«Eu Ave, eu órgão de pavor, de azares.»

Níveo matiz d'auriferas arêas [26],
Cysne qual Jove outr'ora [27], e que no alado
Extasi aos Céos a melodia altêas!

Vóz, de que adóro o cântico sagrado,
Vóz, que a dor minha, o Fado meu prantêas!
Dá-me teus sons, e cantarei meu Fado. [28]

[25] Pelo estro, e pela cegueira.

[26] As do Téjo.

[27] Quando se tornou Cysne por Leda.

[28] Porque então a gloria compensa-me a fortuna.

Apesar do que digo a pag. 10, sempre tive occasião de honrar o meu insigne Compatriota.