LVIII.

Aqui, meu doce amor, meu bem querido,
Se me duplîca a dôr ao pensamento,
Pois quando em vós, me falta meu sentido,
Naõ me póde faltar meu sentimento:
Em vós lamenta a dor meu bem perdido,
Em mim renova a dor novo tormento;
Mas creyo, doce amor, que sentir possa
Menos a minha dor, que a falta vossa.