XLV.

Naõ reste planta, que se atreva a tãto,
Que naõ murche dos ays enternecidos,
Rosa naõ fique, que, a pesár do espanto,
Se naõ séque ludibrio dos gemidos:
Em fim, duplique a dor, prodûza o pranto
Lastimosos naufragios dos sentidos;
Seja neste pesár, nesta esquivança
Charybdes da alma o Cabo da esperança.