XLVII.

Quem soubéra cuidar, que a mais crescida
Tyrannîa cruel da dor mais forte
Fosse, quando nas perdas de huma vida
Impossiveis sentisse de huma morte:
Mas he rigor da magoa repetida
Por industria fatal da iniqua sorte;
Porque quando talvez matar-me trata,
Por topar-me sem vida, naõ me mata.