SCENA II
LAURA (só)
Laura (largando de engommar, e pegando na costura):
Muito penosa é a vida dos que vivem só para o trabalho… E o lucro que as mulheres tiram d'elle, não chega para matar a fome… se não fôra o meu protector pagar-me a renda da casa, ter-me-ia outra vez reduzido á penuria extrema, e… matava-me, para fugir á deshonra… (pausa) Horrorisa-me a idéa da vida que passam essas infelizes mal encaminhadas… O mundo não vê na mulher pobre mais do que um estimulo para os seus brutaes appetites!… Nova, como ainda sou, já por minha desgraça conheci isto; mas a Providencia, pela mão do sr. tenente, salvou-me do suicidio…