SCENA VI
OS MESMOS, E ARTHUR
Arthur (correndo):
(Traz pendente do pescoço de modo visivel uma medalha de cobre).—Ó Laura, perguntaram-me por ti lá em baixo. Eu estava a vêr jogar o peão… (reparando no soldado): Ah! cá está o senhor que perguntou por ti…
João
(Repara na medalha, levanta-se repentinamente, examina-a etc.) Esta medalha!!…
Laura
É uma reliquia, que minha santa mãe dizia ter vindo de Roma, e que lançou ao pescoço de meu irmão, pouco antes de morrer…
João (excitadissimo):
Menina!… por alma de sua mãe lhe peço, que me diga se conserva alguma carta que seu pae escrevêsse!…
Laura
Conservo. Tenho-a aqui no meu cesto de costura, n'esta caixinha, para nunca me separar d'ella… Olhe, aqui a tem.
João
(Desdobra a carta todo trémulo, etc, e diz como em delirio): Antonia!… Cá está… é a mesma… foi escripta em cima de um tambor antes de entrar em fôgo… E Ella cá a morrer de fome!… e meus filhos!… (grito dolorôso): Ah!… (cae sem sentidos na cadeira).
Laura (correndo a elle):
Que é isto, meu Deus!… Elle morre!… Se viésse o sr. tenente… (afflicta): Nunca fui a sua casa, mas vou agora… Não posso estar aqui só com este homem assim… (entra nos bastidores, e sae de capote: Arthur segue-a sempre): Ainda sem sentidos!… (apanha a carta do pae, que este deve ter deixado cahir, e guarda-a): Vamos, Arthur, vamos depressa… (sahem).