SCENA X

Alfredo

(Depois de espreitar)

Ainda bem! Já cá não está! Nunca vi um pae assim; anda sempte atraz de mim; mas creio que homem sou já, e que não parece mal eu andar por aqui sósinho. Na verdade, é tão bomzinho a gente andar á vontade. E Traviata como é linda! Que meiguices! que bondade! Cada beijo é uma braza que ella me põe na bochecha; e diz que nunca me deixa e quer levar-me p'ra casa. (O creado entra e apresenta-lhe um cartão de visita, e sahe). O que é? É para mim. (Examinando o cartão) É d'ella! É o seu cartão; já lhe senti o seu perfume. (Lendo) Mas que vejo?! uma traição! «Não acceito o seu amor; julguei que era rico e nobre: não insista por favor, não sou amante p'ra pobre.»

(Colerico) Alma vil! Mulher ingrata! Ah! perfida Traviata! A côrte de um rico acceita, e o amor d'um pobre engeita. Pois bem, toma sentido, a teus pés me vou matar e salpicar-te o vestido com o sangue que espirrar. Tenho um rival que é ricaço: pois verás o que lhe faço; tão depressa eu logre vel-o hei de logo ali estendel-o. Julga-me talvez um urso; pois póde ter a certeza que me ha de ouvir um discurso que nem do Rei da Madureza! Ah! como a vingança consola! Como é bom desabafar! Degredado irei p'r'Angola, mas morrer sem me vingar, isso… hom'essa pistarola!

N.º 7

(Musica)

Oh! cruel oh! cruel vingança eu quero já, sim, eu quero já tirar, e sem mais, e sem mais tardança no sangue d'ella me quero afogar.

Estou raivoso, furioso, irado,
já não vejo senão tudo encarnado!
Ah!
Oh! cruel, oh! cruel vingança,
etc.
(Fallado) P'ra sermões eu já não presto;
quem quizer que acabe o resto. (Sahe).
(A orchestra acaba o trecho).