SONETO III.
Nem sempre em verdes annos a imprudencia
Produz irregular procedimento:
Nem sempre encontra o humano entendimento
Só perto do sepulcro a sã prudencia.
Em Vós não esperou a Providencia
Que longas cans vos dêm merecimento:
Em Vós mostrou que estudos, e talento
Valem mais do que a larga experiencia.
Os eruditos velhos Conselheiros,
Depois que o vosso voto alli for dado,
Serão de Vós eternos pregoeiros:
E dirão que deveis ser escutado
Onde os Ministros vossos companheiros
Não sejão da Fazenda, mas do Estado.
Aos leques mui pequenos, chamados Marotinhos.
SONETO IV.[1]
Fofo colchão, as plumas bem erguidas,
E sobre os hombros nas jucundas frentes
De enrolado cabello anneis pendentes,
Longos chorões, bellezas estendidas,
Era esta das matronas presumidas
A moda, que trazião bem contentes;
Rião-se dellas as modestas gentes
Vendo pequenas poupas esquecidas.
Nisto a gentil Madama aperaltada,
Grande auctora de trastes exquisitos,
Nova moda lhe inventa abandalhada.
Reprova-lhe aureos leques com mil ditos.
Eis senão quando (oh moda endiabrada!)
Abanão-se com azas de mosquitos.
O cruel disfarce.