SONETO V.
Sem murmurar padecerei callado
Cumprindo o teu preceito violento:
Faltava a envenenar o meu tormento
Dever ser por mim mesmo disfarçado.
De trazer o semblante socegado
Farei o inculpavel fingimento:
Nos olhos mostrarei contentamento,
Tendo hum punhal no coração cravado.
Este peito onde nunca engano viste,
Que não sabe a vil arte de affectar-se,
Onde a verdade, e a intacta fé existe,
Martyr do amor, e do infiel disfarce,
Nas tuas adoraveis mãos desiste
Té dos tristes direitos de queixar-se!
Ao Illustrissimo, e Excellentissimo Senhor
Visconde de Ponte de Lima, Secretario
de Estado.