SCENA VII

Os mesmos e Talitha

Padre, entrando, a Talitha

Recordas que uma vez, em lagrimas banhada,
disseste que a tu'alma andava amargurada
a pensar que jámais a tua mãe verias?
Recordas a palavra alegre, de conforto,
que te disse a sorrir quando tu me pedias
a luz do teu olhar que tu suppunhas morto?

Talitha

Nem eu posso esquecer.

Padre

Pois, filha, a Providencia
abriu á tua vida a sua immensa graça.

Talitha, curiosa

E então?

Padre

Então responde: em tua consciencia
que mais desejas tu que o Santo Deus te faça?

Talitha

Que eu possa vêr um dia a minha Mãe querida!

Marqueza, correndo para ella e abraçando-a

Talitha, minha filha! Amor da minha vida!

Talitha, surprehendida

Minha Mãe! Minha Mãe!

Abraçam-se em pranto

Padre

Obrigado, Senhor;
abençoado seja este Natal de amor!

Marqueza, desprendendo-se de Talitha

Mas como eu sou feliz! Como tu és bonita!
Que lindo nome o teu! Quem te chamou Talitha?

Beija, abraça-a, encara-a sorrindo e soluçando. Senta-a nos joelhos

Quero ver bem de perto o teu formoso olhar.

Fita-lhe os olhos

Talitha

E já sabes, mamã, que de tanto chorar
com saudades de ti, um dia fiquei céga?

Marqueza

Com saudades de mim?

Talitha, agitada

Não crês, mamã?

Marqueza

Socega;
eu acredito em tudo, a tua alma não mente...

Talitha

Mamã, como eu te quero!

Abraça-a

Olha-me bem de frente!
Tanto tempo sem vêr a imagem dos meus sonhos,
agora que te encontro, eu desejo risonhos
os teus olhos de Mãe que nunca vi mais bellos;
quero beijar, sorrindo, os teus alvos cabellos
e sentir palpitar o seio teu, amigo,
e o meu seio de filha, a palpitar comtigo.

O Cura, que se tem enlevado a contemplar a scena, sae pé ante-pé, olhando o grupo e chama para dentro. Entram Joaquina e Ruy.