I
É na hora, em que a voz bella e sentida
Do meigo rouxinol, entre a folhagem
Das balsas escondido, solta ao vento
A saudosa canção do fim do dia:
Hora solemne e grata em que os amantes
Renovam mil protestos de ternura,
De constancia e d'amor; em que o susurro
Da fresca viração vai confundir-se
Co'o murmurar da trepida corrente.
De cristalino orvalho borrifadas,
As vicejantes flores da campina
Mais vivo aroma espargem no ambiente.
Accendem-se no ceo milhões de estrellas,
É mais escuro o azul á flor das vagas,
E a verdura do bosque é mais sombria.
Entre as trevas e a luz, o firmamento
Jaz velado por languido crepusculo,
Que rapido se esvai nos frouxos raios
Da lua, despontando no horisonte.