II

Mas não é para ouvir os doces carmes
Do amoroso cantor, que Parisina
Do palacio feudal ao parque desce;
Nem para contemplar a luz brilhante
Das tremulas estrellas, que divaga
Por entre as sombras que diffunde a noite.
Se procura um desvio na espessura,
Não é para aspirar o vivo aroma
Das matisadas flores; e se escuta,
Não é de certo para ouvir das aguas
O brando murmurar. Sons mais queridos
Espera o seu ouvido nesse instante.
Rangendo as folhas seccas denunciam
Que se aproxima alguem: empallidece
De susto e de prazer ao mesmo tempo.
D'entre as ramas que a brisa doidejante
De espaço a espaço agita, mansamente
Parte emfim uma voz: é voz amiga;
De subito o rubor lhe volta ás faces,
E mais livre, porém não menos forte,
Bate-lhe o coração no peito agora.
Mais um momento só é já passado,
Aos pés da bella jaz o cego amante.