VIII
Assim que o sol desponta no horisonte,
Azo corre a indagar pelos que o cercam,
E as derradeiras provas apparecem.
As aias da princeza, largo tempo
Conniventes no crime, revelaram
Quanto havia de occulto nesse drama.
Não tem que duvidar! Azo, escutando
A longa historia de tão negro crime,
Sente em ondas subir-lhe o sangue ás faces,
Que de profunda cholera se inflammam.
IX
Na vasta sala do feudal palacio
O orgulhoso Senhor da casa d'Éste,
Sobre o purpureo throno está sentado.
Nobres, pagens, soldados o circundam,
Os olhos crava nos culpados ambos,
Ambos jovens e bellos. Duros ferros
Tem sujeitos os pulsos do mancebo,
Que fôra brutalmente desarmado
Por mercenarias mãos da nobre espada.
Na presença de um pae é d'este modo
Que deve, oh Christo, apresentar-se um filho?!
Porém, Hugo infeliz, nesse momento,
Tem de ouvir a sentença incontrastavel
Dos labios paternaes, prestar ouvidos
Á triste narração do seu opprobrio!
E comtudo a expressão do nobre rosto,
A distincta altivez conserva ainda!