XII

Azo emfim sólta a voz:
«Ha pouco ainda,
Numa esposa e num filho resumia
Toda a minha ventura neste mundo.
A aurora dissipou tão bello sonho!
Antes do pôr do sol, nem um nem outro
Me devem pertencer. Quebrem-se embora,
As ligações mais caras da minh'alma!
Hugo! um padre te espera, e depois d'elle
A justa punição do teu peccado.
Ergue preces ao ceo antes que o lume
Das estrellas se accenda no horisonte:
Talvez te dê perdão. Mas neste mundo
Não existe logar onde possâmos
Nós ambos respirar. Adeus, não quero
Assistir ao teu ultimo momento!
Porém tu, fragil ser, ensanguentada
Terás de vêr cair essa cabeça.
Vai, traidora mulher; sobre a tua alma
Pese o remorso da desgraça d'elle!
Vai-te, adeus, e se podes, contemplando
Este exemplo fatal, ter vida ainda,
Gosa d'ella, que livre t'a concedo!»