LYRA VI.

Traducção.

Amor que seus passos
Ligeiro movia,
Por mil embaraços
Que hum bosque tecia.

Nos hombros me acena
Com brando raminho;
E logo me ordena
Que siga o caminho.

Por entre a espessura
Do bosque me avanço:
E a traz da ventura
Incauto me lanço.

Já tinha calcado
Os montes mais duros:
C'o peito rasgado
Os rios escuros.

Eis que huma serpente
A lingua vibrando,
Me crava o seu dente,
Me deixa espirando.

Então surprendida
Da dôr que a traspassa,
Minha alma ferida
Aos beiços se passa.

As iras detesta
Amor isto vendo,
E as azas na testa
Me bate dizendo:

Tu choras, tu gemes
Da Serpe tocado,
E o braço não temes
De hum Numen irado
?