SONETO V.

Ao Templo do Destino fui levado:
Sobre o Altar hum Cofre se firmava,
Em cujo seio cada qual buscava
Tremendo annuncio do futuro estado.

Tiro hum papel, e leio: Ceo Sagrado!
Com quanta causa o coração pulsava:
Este duro Decreto escrito estava,
Com negra tinta pela mão do Fado.

Adore Polidoro a bella Ormia, Sem della conseguir a recompensa, Nem quebrar-lhe os grilhões a tyrannia.

Das mãos, Amor mo arranca, e sem detença
Tres vezes o levando á boca impía,
Jurou comprir á risca a tal sentença.