SONETO XII.
Com pezadas cadeias maniatado,
Ás vozes da razão insurdecido,
Dos Ceos, de mim, dos homens esquecido
Me vi de amor nas trévas sepultado.
Alli aliviava o meu cuidado
Cõ dar de quando em quando algum gemido:
Ah tempo! que sómente reflectido
Me fazes entre as ditas desgraçado.
Assim vivia, quando a falsidade
De Laura me tornou n'um breve dia
Quanto a razão não pôde em longa idade.
Quebrei o vil grilhão que me opprimia:
Ó feliz de quem gosa a liberdade!
Bem que venha por mãos da aleivosia.