A FLOR SUSPIRO

Eu amo as flores

Que mudamente

Paixões explicam

Que o peito sente,

Amo a saudade,

O amor perfeito,

Mas o suspiro

Trago no peito.

A forma esbelta

Termina em ponta,

Como uma lança

Que ao céo remonta.

Assim, minha alma,

Suspiros geras

Que ferir podem

As mesmas féras.

É sempre triste,

Ensanguentado,

Quer secco morra,

Quer brilhe em prado.

Taes meus suspiros...

Mas não prosigas,

Ninguem se move

Por mais digas.

D. J. Gonçalves Magalhães, Suspiros poeticos, p. 239. Pariz 1859.