A MINHA MADONA

Alva, mais alva do que o branco cysne,

Que alem mergulha e a pennugem lava;

Alva como um vestido de noivado,

Mais alva, inda mais alva!

Loura, mais loura do que a nuvem linda

Que o sol á tarde no poente doura:

Loura como a virgem ossianesca,

Mais loura, inda mais loura!

Bella, mais bella que o raiar da aurora

Apoz noite hybernal, negra procella;

Bella como a açucena rociada,

Mais bella, inda mais bella!

Doce, mais doce, que o gemer da brisa;

Como se d'este mundo ella não fosse...

Doce como os cantares dos archanjos,

Mais doce, inda mais doce!

Casta, mais casta, que a mimosa folha

Que se constringe, que da mão se afasta,

Assim como a Madona immaculada

Ella era assim tão casta!...

Joaquim Serra, Ib., p. 121.