A REPUBLICA
Tremeis? Vêde-a dormindo socegada,
A deusa dos combates sempiternos:
Rugem-lhe em torno os horridos invernos,
E tudo é para ella uma alvorada.
Não penseis que ella durma, embriagada
No somno grato dos reaes phalernos;
Como Dante, desceu aos vís infernos,
E repousa momentos da jornada.
Filhos do negro val, filhos da serra,
Erguei os vossos gladios coruscantes,
Á luz d'aquelle olhar que se descerra.
Ide, apertae-lhe os seios uberantes!...
De cada gota que cahir na terra
Hão de surgir impavidos gigantes.
Sousa Viterbo, Harmonias phantasticas, p. 97. Porto, 1875.