FRAGMENTOS

Minh'alma é como a rôla gemedora

Que delira, palpita, arqueja e chora,

Na folhagem sombria da mangueira;

Como um cysne gentil de argenteas plumas,

Que fallece de amor sobre as espumas

A soluçar a queixa derradeira.

Meu coração é o lothus do Oriente,

Que desmaia aos languores do occidente,

Implorando do orvalho as lácteas pérolas;

E na penumbra pallida se inclina,

E murmura rolando na campina:

—Oh brisa, me transporta ás plagas cérulas.

Ai, quero nos jardins da adolescencia

Esquecer-me das urzes da existencia,

Nectarisar o fel de acerbas dôres!

Depois... remontarei ao paraiso,

Nos labios tendo os lirios do sorriso,

Sobre as azas dos mysticos amores.

Narcisa Amalia, Nebulosas, p. 59. Rio de Janeiro, 1872.