AI DE MIM!

Ai! dizes que não me queixe?

Que de vogar eu me deixe

N'um mar de scismas sem fim?

Que não lamente meu fado,

Desprezado,

Desprezado sempre assim!

Ai de mim!

Que distante dos teus olhos,

Nas trevas por entre abrolhos,

Vagando ás tontas sem fim,

Não maldiga a triste vida

Dolorida,

Dolorida sempre assim?

Ai de mim.

Ai, se tu és minha estrella,

Que luz, que brilha tão bella

N'esse horisonte sem fim,

Porque te occultas? Sem norte...

Cruel morte,

Cruel morte eu soffro assim!

Ai de mim.

Bettencourt Sampaio, Flores sylvestres, p. 26 Rio de Janeiro, 1860.