LAURA

—D'onde vens, Laura? «De casa.»

—Vaes á festa? «Já se vê.»

—Tão sósinha? «O que tem isso?»

—Vou comtigo... «Para o que?»

—Para ensinar-te o caminho...

«Agradeço-lhe o favor;

Eu sei de cór estas bandas,

Obrigada, meu senhor.»

—Olha o demo se te encontra...

«Pergunto ao demo o que quer.»

—E se elle quizer um beijo?

«Dou-lhe até mais, se quizer.»

—Ora, anda cá; dá-me o beijo,

Porque o demonio em mim vês...

«Já me estava parecendo...»

Ficará para outra vez.

—Vá d'esta vez um abraço...

«Abraço?»—Sim; o que tem?

«Mamãe me disse outro dia...»

—O que te disse a mamãe?

«Que a rapariga solteira

Em abraçando um rapaz...

Ferve-lhe o sangue nas veias,

E depois...» —E depois? «Zás!»


Arregaçando o vestido

Deitou-se Laura a correr;

Deixando-me boquiaberto,

Co'o sangue todo a ferver.

Bruno de Seabra, Flores e Fructos, p. 115. Rio de Janeiro, 1862.