LUNDUNS E MODINHAS

(Pará)

Quanta laranja miuda,

Quanta florinha no chão;

Quanto sangue derramado

Por causa d'essa paixão.[58]

Quem vae a Pará, parou;

Quem bebe açahy ficou.

(S. Paulo)

Pinheiro, dá-mi uma pinha,

Roseira dá-mi um botão,

Morena, dá-mi um abraço,

Que eu te dou meu coração.[59]

(Cuyabá)

O bicho pediu sertão,

O peixe pediu fundura,

O homem pediu riqueza,

A mulher a formosura[60].

(Pará)

Te mandei um passarinho,

Patuá mira pupé; (Dentro de uma caixa pequena)

Pintadinho de amarello

Iporãnga ne iavé. (E tão formoso como você.)

(Amazonas)

Vamos dar a despedida

Mandu sarará,

Como deu o passarinho

Mandu sarará;

Bateu aza, foi-se embora,

Mandu sarará,

Deixou a pena no ninho

Mandu sarará[61].

(De Ouro preto)

Vamos dar a despedida,

Como deu a pintasilva;

Adeus, coração de prata,

Perdição da minha vida.

Vamos dar a despedida,

Como deu a saracura;

Foi andando, foi dizendo

Mal de amores não tem cura.[62]

(Maranhão)

Quem quizer comer mangabas

Vá no pé da mangubeira,

Vá comendo, vá gostando,

Vá mettendo na algibeira.

Cajueiro pequeno,

Carregado de flores,

Eu tambem sou pequeno,

Carregado de amores.

Quando eu era pequenino,

Que aprendia o b-a, ,

Minha mestra me ensinava

O Lundum do Mon-Roy.