LYRA
Se me queres a teus pés ajoelhado,
Ufano de me vêr por ti rendido,
Ou já em mudas lagrimas banhado;
Volve, impiedosa,
Volve-me os olhos,
Basta uma vez!
Se me queres de rojo sobre a terra,,
Beijando a fimbria dos vestidos teus,
Calando as queixas que meu peito encerra,
Dize-me, ingrata,
Dize-me: Eu quero!
Basta uma vez.
Mas se antes folgas de me ouvir na lyra
Louvor singelo dos amores meus,
Porque minha alma ha tanto em vão suspira;
Dize-me, oh bella,
Dize-me: Eu te amo!
Basta uma vez.
Gonçalves Dias, Ib., p. 117.