O SOMNO
Nas horas da noite, se junto ao meu leito
Houveres acaso, meu bem, de chegar,
Verás de repente que aspecto risonho
Que toma o meu sonho,
Se o vens bafejar!
O anjo, que ao somno preside tranquillo,
Ao anjo da terra não cêda o logar;
Mas deixe-o amoroso chegar-se ao meu leito,
Unir-se ao meu peito,
D'amor offegar.
As notas que exhalam as harpas celestes,
Os gosos que os anjos só podem gosar,
Talvez tambem frúa, se ao meu peito unida
Te encontro, oh querida,
No meu acordar!
Gonçalves Dias, Novos Cantos, p. 186.