MARTYRIO
Beijar-te a fronte linda:
Beijar-te o aspecto altivo,
Beijar-te a tez morena;
Beijar-te o rir lascivo.
Beijar o ár que aspiras,
Beijar o pó que pisas,
Beijar a voz que soltas.
Beijar a luz, que visas.
Sentir teus modos frios,
Sentir tua apathia,
Sentir até repudio,
Sentir essa ironia;
Sentir que me resguardas,
Sentir que me arreceias,
Sentir que me repugnas,
Sentir que até me odeias;
Eis a descrença e a crença,
Eis o absyntho e a flor,
Eis o amor e o odio,
Eis o prazer e a dor!
Eis o estertor da morte,
Eis o martyrio eterno,
Eis o ranger dos dentes
Eis o penar do inferno.
Junqueira Freire, Contradicções poeticas, p. 79.