O ADEUS DE THEREZA
A vez primeira que eu fitei Thereza,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A walsa nos levou nos giros seus...
E amámos juntos... E depois na sala
Adeus!—eu disse-lhe, a tremer co'a falla...
Ella, córando, murmurou-me:—Adeus!
Uma noite... entreabriu-se um reposteiro...
E da alcôva sahia um cavalleiro
Inda beijando uma mulher sem véos...
Era eu... Era a pallida Thereza!
Adeus!—lhe disse, conservando-a preza...
E ella entre beijos murmurou-me:—Adeus!
Passaram tempos... sec'los de delirio,
Prazeres divinaes... gozos do empyreo...
Mas, um dia volvi aos lares meus,
Partindo eu disse: Voltarei, descança!...
Ella chorando mais que uma criança,
Ella em soluços murmurou-me:—Adeus!
Quando voltei, era o palacio em festa!...
E a voz d'ella e de um homem lá na orchestra
Preenchiam de amor o azul dos céos.
Entrei... Ella me olhou branca, surpreza!
Foi a ultima vez que eu vi Thereza!...
E ella arquejando murmurou-me:—Adeus!
Castro Alves, Poesias, p. 47. Bahia, 1870.