SE EU MORRESSE ÁMANHÃ!
Se eu morresse ámanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria,
Se eu morresse amanhã!
Quanta gloria presinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas corôas
Se eu morresse ámanhã!
Que sol! que céo azul! que doce n'alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito,
Se eu morresse ámanhã!
Mas essa dôr da vida que devora
A ancia de gloria, o dolorido afan...
A dor no peito emudecera ao menos,
Se eu morresse ámanhã!
Alvares de Azevedo, Ibid., t. I, p. 343.