TRINDADE
A vida é uma planta mysteriosa
Cheia de espinhos, negra de amarguras,
Onde só abrem duas flôres puras
Poesia e Amor...
E a mulher... é a nota suspirosa
Que treme d'alma a corda estremecida,
—É fada que nos leva alem da vida
Pallidos de languor!
A poesia é a luz da mocidade,
O amor é o poema dos sentidos;
A febre dos momentos não dormidos
E o sonhar da ventura...
Voltae, sonhos de amor e de saudade!
Quero ainda sentir arder-me o sangue,
Os olhos turvos, o meu peito langue,
E morrer de ternura.
Alvares de Azevedo, Ibid., t. III, p. 47.