III.

ACTO DE AMOR.

Ah, Deus meu, Deus meu, verdadeiro, e unico amante da minha alma! e que mais podeis fazer, Senhor, para serdes de mim amado? Não vos bastou o morrerdes por mim; quizestes instituir esse grande Sacramento, para vos dardes todo a mim, e unirdes o vosso coração ao meu coração, ao coração de uma creatura tão má, e tão ingrata, como eu sou. Oh amor immenso! Amor incomprehensivel! Amor infinito! Um Deus quer dar-se a mim!

Alma minha, tu o crês? E que fazes? Que dizes? Ó Deus, ó Deus, ó amor infinito, unico objecto digno de todos os amores: eu vos amo com todo meu coração, amo-vos sobre todas as cousas, amo-vos mais que a mim mesmo, mais que a minha propria vida. Oh! se eu pudesse fazer que todas as creaturas vos amassem quanto vós mereceis! Ah! quem me dera amar-vos com aquelle amor, com que vos amão os Serafins; com aquelle amor, com que vos ama minha Mãe, e Senhora, Maria Santissima! Affectos terrenos, sahi do meu coração. Mãe do amor formoso, Maria Santissima, ajudai-me a amar aquelle Deus, que tanto desejais ver amado.