IV.

ACTO DE HUMILDADE.

És tu, alma minha, que vás a receber o sagrado Corpo de Jesu Christo? E és tu digna de tão alto fervor? Ah! Deus meu! Quem sou eu, e quem sois vós? Eu bem sei, e confesso, que vós sois um Deus de Magestade infinita, e inconprehensivel, e quem eu sou, vós o sabeis, Senhor.

E é possivel, meu Jesus, que vós, pureza infinita, desejeis entrar em uma alma tão impura como a minha, e que tantas vezes tem sido manchada com o lodo vil dos meus enormes peccados! Ah! Senhor, á vista da vossa infinita Magestade, e da minha grande miseria, eu me envergonho de apparecer diante de vós. O temor, e o respeito me querem separar de vós, mas, se me retiro de vós, aonde irei? A quem hei de recorrer? E que será de mim? Não, Senhor, eu não quero ausentar-me de vós, antes desejo cada vez mais avizinhar-me a vós. Venho pois, ó meu amavel Salvador, venho a receber-vos esta manhã humilhado, e confuso pelos meus peccados; mas todo confiado na vossa piedade, e no amor, que vós me tendes.