NOTAS

[1]

Alcançá-la não podia—TRAZ-OS-MONTES.

[2]

Alcançou-a descançando

Debaixo da verde oliva.—TRAZ-OS-MONTES.

[3]

Qual debaixo, qual decima—TRAZ-OS-MONTES.

[4]

Logo debaixo cahia—TRAZ-OS-MONTES.

[5]

Eu te peço, romeirinha—TRAZ-OS-MONTES.

[6]

Eu te peço, ermitão,

Por Deus e sancta Maria

Que interres esse traidor

Lá na tua sancta ermida.—TRAZ-OS-MONTES.

[7] Mais outro exemplo do que era frequente nos antigos cantares repetirem, de uns para outros, certos dizeres que cahiam em graça. Veja no ‘Reginaldo’ pag. 175, tom. II do ROMANCEIRO.

[8]

Senhor pae, eu tenho a culpa—AÇORES.

[9]

Antes que não rompa o dia—AÇORES.

[10]

A infanta vai a expirar—AÇORES.

[11] Veja o que, a este respeito e sôbre a repetição d’esta linda imagem, deixo escripto na ‘Rosalinda’, pag. 163-168, tomo I do ROMANCEIRO.

[12]

Um, nobre sangue deitava—TRAZ-OS-MONTES.

[13]

Sentava-se elrei á mesa,

No hombro lhe iam poisar.—AÇORES.

[14] Romanceiro, I, pag. 181, ed. de 1843.

[15]

Anda atrás do cavalleiro

A princeza a bom andar.—MINHO.

Ésta licção do Minho dá por titulo ao romance ‘A Princeza’.

[16]

Está em casa o cavalleiro

Que aqui deve de morar?—TRAS-OS-MONTES.

[17]

Que fazeis porqui princeza,

Que andais a procurar?—MINHO.

[18]

Deixei meu pae, minha gente—TRAS-OS-MONTES.

[19]

Leva-a d’ahi, cavalleiro,

E vai lançá-la no mar.—MINHO.

[20]

De raivosa, a castelhana

Os mandou logo cortar.—MINHO.

[21]

Nasceu um triste pinhal—EXTREMADURA.

Noto ésta variante para marcar o uso indistincto das palavras ‘pinhal e pinheiral’ que a lingua consente.

[22]

E, por noite, a castellana—TRAS-OS-MONTES.

E, alta noite, a castellana—MINHO.

E, de noite, a castellana—TRAS-OS-MONTES.

A licção que segui no texto é a que veio do Porto, que Minho é; mas não a acho melhor do que qualquer das outras. Segui-a porque, no todo do romance, é a mais completa.

[23]

Aprestar—BEIRALTA.

[24]

Que me sellem meu cavallo,

Depressa, não devagar.—EXTREMADURA.

[25]

Alviçaras, meu irmão,

Que ja m’as devias de dar.—BEIRALTA.

[26]

Lá no mais alto da serra—EXTREMADURA.

[27] Oiro em stylo camponez quer dizer—joias, ornatos de oiro de pessoa. O meu oiro é o oiro com que me adorno—como em stylo de cidade a minha prata é a prata de meu serviço de casa.

[28]

E as toucas da cabeça

Despirá para o pençar.—EXTREMADURA.

[29]

Não póde á bôcca chegar.—BEIRALTA.

[30]

Mal hajam as linguas taes

E ouvidos que lhe eu fui dar,

Que por amor das más linguas

Meu amor vim a mattar.—EXTREMADURA.

[31] Em algumas licções provinciaes, designadamente nas da Extremadura, começa assim:

Ergueu-se frei Joanico

Um dia de madrugada,

Vestido de ponto em branco

E tangendo sua guitarra,

Foi-se á porta de Morena,

A Morena etc.—EXTREMADURA.

[32]

Que é isso, Morenita—ALEMTEJO.

[33]

Com seu mantinho de lustro

Que o vento lh’o levava,

Seu sapatinho picado

Que no pé lhe rebentava—EXTREMADURA.

[34]

Frei João que a viu chegar,

Em vez de correr, saltava.—BEIRALTA.

[35]

Com o ôlho d’esta enchada.—BEIRALTA.

[36] Aulegraphia, act. II, sc. 9, fol. 66. vers. da ed. de 1619.

[37] Carta do marquez de Santillana ao condestavel de Portugal: pag. LVII, tom. I da collecção de Sanches, Madrid 1779.

[38] Aulegraphia, act. III, sc. I, fol. 84.

[39] Isabel ou a heroina de aragão por J. M. da Costa e Silva. Lisboa, 1832.

[40]

Pregoadas são as guerras

Entre França e Aragão.

Como as faria triste

Velho cano e peccador?—LICÇÃO ANTIGA EM JORGE FERREIRA.

[41]

As guerras me acabarão—LISBOA.

Triste de mim que sou velho,

As guerras me acabarão.—ALEMTEJO, EXTREMADURA.

[42]

Responde Dona Guimar—LISBOA.

[43]

‘Tendes las tranças compridas,

Filha, conhecer-vos-hão.’

—‘Venham ja umas tesouras,

As tranças irão ao chão.—MINHO.

—‘Tendes los olhos garridos—AÇORES.

[44]

Pela hoste—BEIRALTA.

Pelos homens—MINHO.

[45]

Abaixarão—LISBOA.

Incolherei os meus peitos

Dentro do meu coração.—MINHO.

[46]

Venha ja um alfaiate

Faça-me um justo gibão.—EXTREMADURA, ALEMTEJO, ALGARVE.

[47]

Delicados—ALEMTEJO, BEIRALTA.

Muito finos—BEIRABAIXA

[48]

Mette-las-hei n’umas luvas—EXTREMADURA.

Calçá-las-hei n’umas luvas,

D’ellas nunca sahirão.—ALEMTEJO, MINHO.

Venham manapolas de ferro—TRAS-OS-MONTES.

Os pés bem grandes serão—MINHO, BEIRALTA.

[49]

Dom João—AÇORES.

D. Martinho—LISBOA, ALEMTEJO.

D. Marcos—EXTREMADURA.

Dom Claros—MINHO.

[50]

Jardim—MINHO, AÇORES, LISBOA.

[51]

Co’as rosas se hade tentar—LISBOA.

Com as flores se hade armar—MINHO.

As rosas o hãode buscar—AÇORES.

[52]

Á lima se foi pegar:

—‘Oh que bella lima esta!’—LISBOA.

Uma cidra foi mirar—ALGARVE, MINHO.

[53] As mesmas variantes respectivas.

[54]

Porque no partir do pão

Se virá a delatar:

Que se elle o partir no peito,

Por mulher se hade mostrar.—AÇORES.

[55]

Baixo assento hade ir buscar—MINHO.

[56]

O mais alto foi buscar—LISBOA.

No mais alto quiz estar—MINHO.

[57] As mesmas variantes.

[58]

N’uma adaga foi pegar—LISBOA.

Foi uma espada apreçar—MINHO.

Oh que lindas fittas verdes

Para môças inganar!—AÇORES.

[59]

Desculpa vos hade dar—LISBOA.

Ja se hade acovardar—ALEMTEJO.

[60]

Chegam juntos do castello—LISBOA.

[61]

Meu pae era de Hamburgo,

Minha mãe de Hamburgo era.—RIBATEJO.

[62]

Me levaram a vender

A Salé, que é má terra.—EXTREMADURA.

[63] Ni blanca é claramente castelhano dizer; mas nos mais puros nossos escriptores se incontra. Ditto familiar que se introduziu então, como hoje dizemos tanta palavra e phrase franceza ou ingleza, por termos com as coisas, livros e usos d’estas nações o mesmo tracto que então tinhamos com castelhanos.

[64]

Eu te daria uma egua—RIBATEJO.

[65]

Dar-te-hia uma gallera—LISBOA.

[66]

Com mil dobrões dentro d’ella.

Co’as mil doblas que estão n’ella.—RIBATEJO.

[67] Este é um dos muitos exemplos de se faltar de vez em quando á forçada lei da redondilha, augmentando-a com dois versos no mesmo repisado consoante ou toante obrigado.

[68]

Que por mim stão a soldado—RIBATEJO.

Ésta phrase a soldado para dizer: estão servindo a soldada, a soldo, como criados, etc. foi nova para mim; vê-se porém que é legitima portugueza. Não approveitei para o texto ésta variante por causa da amphibologia.

[69]

De todo esse teu reinado—EXTREMADURA.

[70] Outro exemplo de accrescentar dois versos á redondilha, mas sem repetir o consoante senão em um d’elles.

[71]

Anda cá, ó filha Angelica—LISBOA.

[72]

Se é pelo christão que choras,

Que te deixou deshonrada.—RIBATEJO.

[73]

Aqui te deixo por mão,

Que os amores da judia

Pelas ondas do mar vão.—RIBATEJO.

[74] Historia tragico-maritima, em que se escrevem, etc. Por Bernardo Gomes de Brito. Lisboa occidental, 1735.

[75]

Ora da nau Cathrineta

D’ella vos quero contar.—EXTREMADURA.

[76]

Sette annos e um dia—MINHO.

[77] Todas as licções dizem assim, menos a do Algarve que adoptei.

[78]

Mas a solla era tam dura,

Que a não podiam rilhar.—MINHO.

[79]

Áquelle tope real.—LISBOA.

[80]

Todas para te mattar—EXTREMADURA.

[81]

Vê se vês terras d’Hespanha,

Areias de Portugal.—MINHO.

[82]

Tambem vejo tres meninas—LISBOA.

...tres donzellas—BEIRABAIXA.

[83]

Para n’elle campear—RIBATEJO.

[84] A licção de Lisboa acaba aqui o romance por differente modo. Deixando o sobrenatural da tentação do demonio que toma a fórma de gageiro para tentar o capitão n’aquelle perigo, dá por verdadeira a apparição da terra, e conclue assim:

—‘Que queres tu, meu gageiro,

Que alviçaras te heide eu dar?’

—‘Eu quero a nau Cathrineta

Para n’ella navegar.’

—‘A nau Cathrineta, amigo,

É d’elrei de Portugal.

Mas ou eu não sou quem sou,

Ou elrei t’a hade dar.’

Outra licção tambem diz n’esta última copla:

Pede-a tu a elrei, gageiro,

Que t’a não póde negar.

[85]

O corpo da agua do mar—RIBATEJO.

[86]

A bom porto foi parar—RIBATEJO.

[87]

Pedem-lh’a duques e condes—TRAS-OS-MONTES.

[88]

A uns que não eram homens,

Outros que não tinham barbas.—TRAS-OS-MONTES.

[89]

Subiram-se a uma ventana

Uma ventana mui alta.—TRAS-OS-MONTES.

[90]

Eu não conheço a senhora

Nem tam pouco a criada.—TRAS-OS-MONTES.

[91]

Lá junto da meia-noite

Ao cegador perguntava:

—‘Dizei-me, bom cegador

De quem eu fico pejada.’

—‘Eu sou filho de um porqueiro

E meu pae porcos guardava.’

—‘Oh, triste de mim, oh triste,

Oh, triste de mim coitada!

Pediram-me condes, duques,

Homens de capa e d’espada:

E agora eis-me aqui

De um porqueiro deshonrada.—TRAS-OS-MONTES.

N’esta licção de Tras-os-Montes que dá a Sr.ª Maria Joaquina do logar de Nantes, a xácara acaba com a variante citada.

[92]

Era uma menina bella

Discreta e bem parecida,

Dom João a namorava,

Mil requebros lhe fazia.—ALEMTEJO.

[93]

Mas o pae d’aquella môça

Por melhor conselho havia

Casá-la com um mercador

Que áquellas partes vivia.—ALEMTEJO.

[94]

Dom João quando isto ouviu

Fóra da terra se ia;

Por lá estivera tres mezes

Que soffrê-los não podia.—EXTREMADURA.

[95]

Veio-se a passeiar

Á rua de sua amiga.—ALEMTEJO.

[96]

Do mais preto que havia—EXTREMADURA.

[97]

Mandou chamar uma dama,

Por Deus e á cortezia:

—‘Dize-me tu por quem trazes

Ausencias tam doloridas.—ALEMTEJO.

[98]

Dona Agueda de Mexia—ALEMTEJO.

[99]

Por vós foi sua partida—EXTREMADURA.

[100]

Palavras não eram dittas—EXTREMADURA.

[101]

Mas a dor era tam forte—EXTREMADURA.

[102]

Do mais preto que havia—EXTREMADURA.

[103]

Onde a sua dama tinha—ALEMTEJO.

[104]

Que me ajudes a erguer

A campa de minha amiga.—ALEMTEJO.

[105]

Puchou por um punhal de oiro

Por lhe fazer companhia.—ALEMTEJO.

[106]

Permittiu a Virgem sancta,

A Virgem Sancta Maria

Que se não perdesse uma alma

Por um preceito que tinha.—ALEMTEJO.

[107] Gil-vicente, edição de Hamburgo 1834, tom. II, pag. 27.

[108] Ibid. tom. I, pag. 92.

[109] Licção portugueza segundo OLIVEIRA.

[110] Obras de GIL-VICENTE, ed. de Hamburgo 1834. Tom. II, p. 249.

[111] Romancero general, Part. I.

[112] Garcia de Rezende, HIDA DA INFANTA, etc.

[113] Saudades de bernardim-ribeiro. Lisboa 1785.

[114] No sentido de dar o penço á criança; com a qual significação o verbo se deve escrever com ç e não com s.

[115] Nascida.

[116] Tem para si.

[117] De nenhuma coisa duvido, que seja azo de damnos.

[118] Que, pois que.

[119] Trás a, após a.

[120] Defronte d’elle.

[121] Incannecido, de cabello branco.

[122] Sou.

[123] Pazes.

[124]

Duzentos quintados eram—TRAS-OS-MONTES.

[125]

Nem por minha irman mais velha—TRAS-OS-MONTES.

[126] Percy’s RELIQUES OF ANCIENT ENGLISH POETRY, Series II, book I, 10.

[127]

—‘Abre a porta, Anna, abre o teu postigo,

Da-me um lenço, amores, que venho ferido.’

—‘Se vindes ferido, vinde muito embora,

Porque minha porta não se abre agora.’—EXTREMADURA.

[128]

—‘Minha mãe acorde do doce dormir,

Venha ouvir o cego cantar e pedir.’—EXTREMADURA.

[129] Diminutivo minhoto de Anna.

[130] Este é um modo de dizer provinciano bastante usado do nosso povo em quasi todo o reino. ‘Filho, lo meu filho; madre, la mi’ madre etc.’ occorre em muitas cantigas populares, romances e similhantes. São reliquias do antigo asturiano que o nosso dialecto conservou tanto e mais do que o castelhano. O mesmo fizeram os nossos vizinhos de Galliza. Tem sido tenaz n’estes bellos archaismos a poesia do povo, porque a salva dos hyatos que tanto lhe repugnam.

[131]

Não deve ser nobre quem dá tal conselho—MINHO, BEIRABAIXA.

[132]

Eu não digo isso, que o gado se perca,

Mas que descancemos uma hora de sésta.—BEIRALTA, EXTREMADURA.

[133]

Que dirão meus amos em que me occupei—BEIRALTA.

[134]

Por essas estevas—ALEMTEJO.

[135]

Meias e vestido—RIBATEJO.

[136]

Romperem—COIMBRA.

[137]

Vai guardar teu gado pela serra fóra—BEIRALTA.

[138]

Senta-te a ésta sombra que está o mundo ardendo.

—‘Eu bem não queria, mas estou querendo.’

—‘Calla-te, pastora, não digas mais nada,

Que a aposta que eu fiz ja está ganhada.’

—‘Senhor, vou sentar-me não por má tenção.’

Pois sabe a verdade, que sou teu irmão.—BEIRALTA.

—‘Sente-se a ésta sombra, passemos a sésta,

Ja pouco me importa que o gado se perca.’

Oh gente da casa, accudi ao gado,

Que foge a pastora c’o seu namorado.—MINHO.

[139] Pelicer, notas a DOM QUIXOTE.

[140] Cancioneiro de romances; SILVA DE VARIOS ROMANCES; FLORESTA DE VARIOS; e ultimamente Duran, ROMANCERO GENERAL, ed. de 1849-51, tom. I, pag. 207.

[141] Lusitania illustrata, Part the second. Newcastle-upon-Tyne, 1846.

[142] Livro II, parte I, romance IX, tom. II, pag. 167.

[143] Nota G, pag. 312 do tom. II.

[144] Romancero general, 1849-51, tom. I, pag. 175. Ésta é a licção mais antiga, foi achada em um pliego suelto, folha volante, impresso.

[145] Romancero general, 1849-51, tom. I, pag. 176.

[146] Marquez de Mantua, folheto de cegos, Lisboa 1789.