HAMLET
Já! É facil dizel-o. Deixem-me sós, meus amigos. (Sáem todos excepto Hamlet.)
HAMLET (só)
É esta a hora da noite propria dos mysterios da magia, a hora em que os tumulos se abrem, em que o inferno exhala sobre a terra o seu sopro contagioso; agora sinto-me capaz de beber sangue ainda fumegante, e commetter actos que o dia consternado não poderia presencear sem terror! Prudencia! Vamos ao quarto de minha mãe. Oh! meu coração, não dispas o teu vigor; firmeza agora, mas que o coração de Nero nunca entre em meu peito. Sejamos inflexiveis, mas não filho desnaturado; seja a minha lingua um punhal, mas minha mão esteja desarmada; e n'esta occasião sejam a minha bôca e o meu coração obrigados pela rasão a dissimular. Por mais violentas que sejam as minhas palavras, dae-me força, meu Deus, para que sejam sempre comedidas, assim como os meus actos. (Sáe.)