HAMLET
O delirio! Senhora, apalpe o meu pulso, e conhecerá que não está menos tranquillo que o seu. Não fallei influenciado pelo delirio. Interrogue-me; em vez de divagar, repetir-lhe-hei textualmente as minhas palavras; não estou louco; engana-se, minha mãe. Por Deus, não se embale, no pensamento falso, que é o meu delirio e não a sua culpa que me faz fallar! Seria cicatrizar exteriormente a chaga, que a consciencia nunca deixaria de augmentar interiormente. Confesse-se ao céu, arrependa-se do passado, premuna-se para o futuro, e não dê pasto ao verme do remorso, que acabará por totalmente corroer o seu coração e obliterar a sua consciencia. Perdoe á minha virtude, porque n'este mundo sordido e venal a virtude deve implorar o perdão do vicio e pedir o favor de poder fazer o bem.
A RAINHA
Oh! Hamlet! Dilaceras-me o coração.