O que a bocca não diz, o que a mão não escreve?
—Ardes, sangras, pregada á tua cruz, e, em breve,
Olhas, desfeito em lodo, o que te deslumbrava.…
O Pensameto erve, e é um turbilhão de lava:
A Fórma, fria e espessa, é um sepulcro de neve.…
E a Palavra pesada abafa a Idéa leve,
Que, perfume e clarão, refulgia e voava.
Quem o molde achara para a expressão de tudo?
Ai! quem ha-de dezir as ansias infinitas
Do sonho? e o céo que foge a mão que se levanta?