Felisberto.—E depois?
Gertrudes.—E depois o sr. Venceslau quiz que nós fossemos com elle assistir ao tal hypnotismo e agora o verás, metteu-se-lhe aquillo na mioleira e não pensa noutra coisa. Já hypnotisou o Simplicio e tambem me quiz hypnotisar a mim, mas eu não consenti...
Felisberto.—Mas que tem o meu casamento com o hypnotismo?
Gertrudes.—Tem tudo. Para agradar ao patrão, precisa mostrar-se hypnotisador, dizer que tem estudado muito sobre isso, que já tem feito experiencias, e que está prompto a fazel-as diante do seu tutor, escolhendo até para objecto das suas experiencias a menina Elvira.
Felisberto.—Pois eu hei de fazer experiencias com a minha noiva, diante do pae?...
Gertrudes.—Assim é preciso... se não quizer ver ir o casamento por agua abaixo...
Felisberto.—Oh! isso, jámais, em tempo algum... E a menina Elvira prestar-se-ha á experiencia?...
Gertrudes.—Se presta... se ella ama-o loucamente...
Felisberto.—Loucamente! Oh! céus! que felicidade!
Gertrudes—E foi ella até que se lembrou da experiencia... O sr. Felisberto mandal-a-ha sentar n'uma cadeira, começará a fixar os seus olhos nos d'ella, a apertar-lhe as mãos, em summa, imitará o melhor possivel um hypnotisador verdadeiro... A menina finge-se adormecida e responderá a tudo que o sr. lhe perguntar.