| VENCESLAU DAS NEVES | Carlos Braga. |
| ELVIRA, sua filha | D. Isabel Ficke. |
| FELISBERTO, estudante | M. Alfredo. |
| ANACLETO, ajudante de pharmacia | A. Armando. |
| GERTRUDES, criada | D. Jesuina Saraiva. |
| SIMPLICIO, criado | J. Caldeira. |
| UM GUARDA NOCTURNO | Hyppolito Flor. |
Lisboa—Actualidade
[ACTO UNICO]
(Sala bem mobilada em casa de Venceslau. É noite)
[Scena I]
[GERTRUDES E DEPOIS SIMPLICIO]
Gertrudes (arrumando os moveis).—Como anda tudo em desarranjo! tambem não admira, parece que Rilhafolles se mudou cá para casa. O patrão com a mania do hypnotismo. Desde que fomos á Trindade ver a tal sessão, que não pensa n'outra cousa. O Simplicio, o creado, ás contas com a musica, constantemente de trombone na mão a atordoar-nos os ouvidos. A menina Elvira sempre triste e a chorar. O pae quer casal-a á força com o seu pupillo, um tal Felisberto que está a estudar em Coimbra, e tem, segundo diz o patrão, uma fortuna de mais de dez contos de réis. A menina, porém, morre de amores pelo visinho da pharmacia, o sr. Anacleto, um excellente rapaz, muito intelligente e muito amavel, mas que para o patrão tem um grande defeito: é pobre... (Entra Simplicio a tocar trombone, sem ver Gertrudes). Ai! que susto que você me metteu!...
Simplicio.—Eu não lhe metti nada, menina Girtrudes!
Gertrudes.—Eu não digo! não larga nunca o trombone... Você não tomará juizo uma vez?...
Simplicio.—Ó menina Girtrudes não diga arestas... A musica é o incanto dai alma... Vocêmecê não conhece os grandes maiestros, o Azul... ou o Azul, não... o Verde. O Offenbaca... etc., e etc. É para chegar á altura delles que eu estudo de dia e de noite e vou todas as semanas dar lição com o mestre da phylarmonica do Poço do Bispo. Quer a menina entrar tambem para a phylarmonica do Poço do Bispo?...