E Maria, alanceada por uma suspeita que lhe opprimiu dolorosamente o coração, occultou o rosto nas mãos, debulhando-se em lagrimas.

A esse dia seguiu-se outro de crescente anciedade e soffrimento para Maria Luiza, durante o qual nem fallar ouvia de Velloso, nem de João, de quem se recordava com o coração amargurado e a alma mortificada pelo remorso.{132}

Sua mãe, que ignorava por completo a traição que sua filha perpetrara a João, attribuia as lagrimas de Maria ao soffrimento que lhe devia causar a ausencia de quem não tinha a menor noticia, porque não ousava interrogar ninguem a seu respeito, para se não expor a algum riso ironico; e, não achando outro remedio que pudesse alliviar a afflicção em que a via, resolveu, sem o communicar á filha, ir a casa do tio Alamêda saber da saude de João, pois outro motivo não podia haver que o impedisse de sair, senão a doença.

Custava-lhe muito isso, mas, como João tinha já dito que seu pae não oppunha obstaculo algum á affeição do seu coração, encheu-se de animo, e foi no mais firme proposito de expôr ao tio Alamêda as razões imperiosas que obrigavam o seu coração de mãe a dar aquelle passo, que ao terceiro dia, se dirigiu para lá, eram dez horas da manhã.

Encontrou o velho sentado no alpendre a aparar um pedaço de páu de sobreiro para uma chavêlha.

—Sr. José, Deus vos dê muito bom dia!

—Muito bom dia, sr.ª Rita.

—Deve admirar-se de me vêr por aqui, não é verdade?

—Com effeito, é uma novidade. Ha que annos vocemecê cá não vem! E ha que tempos tambem que a não vejo!

—Não admira... Eu, passo a vida lá em baixo, quasi nunca venho cá para cima...