—E, nem que viesse, tambem me não veria facilmente. Eu não saio do meu aido, porque já não posso, estou velho.

—Está acabado. Velho não. Mas ao menos tem a consolação de viver em socêgo, com os filhos ao pé de si, que lhe querem muito.{133}

—Pois elles, coitados, não têm motivo para me quererem mal. Fiz por elles o que pude...

—Decerto. Foi sempre bom pae para elles. E elles, tambem, têm sido uns bons filhos.

—Graças a Deus... Não sairam dos peores, não senhora.

—Olhe, sr. José: com'assim, para o não estar a maçar mais, vou dizer-lhe o motivo que me trouxe aqui...

—Dirá...

—Sei que o sr. José não é desconhecedor da affeição do seu filho João pela minha filha, e da grande generosidade que elle tem praticado para comnosco, que Deus sabe o que seriamos agora se não fosse o seu bom coração...

—Sei. Elle, coitado, tem um bom coração, lá isso tem! Mas admitto-lhe isso, porque, emfim, parece que a sua filha não é nenhuma ingrata que não reconheça a dedicação d'elle, e não deixa de ser digna d'isso, apezar do que para ahi diziam...

—Linguas do mundo, sr. José! Linguas do mundo! Sabe como é o mundo, e por isso...